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“CAMAMA: FISCALIZAÇÃO VOLTA A DEMOLIR CABANAS DE CAMPONESAS PELA QUARTA vez E GERA REVOLTA NO CAMPUS UNIVERSITÁRIO”

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    Portal Destaques
  • 9 de jan.
  • 3 min de leitura

Atualizado: 10 de jan.

Por: Redacção l Portal Destaques.ao


A fiscalização da Administração Municipal da Camama está a ser acusada de demolir, pela quarta vez, cabanas pertencentes a camponesas na zona do Campus Universitário. A denúncia foi feita nesta sexta-feira, 9 de Janeiro, nos arredores do Campus Universitário 11 de Novembro.


Segundo relatos dos moradores, as demolições são recorrentes desde a rotunda do Tulipa Negra até à área do Campus Universitário. António Pedro Fonseca, camponês afectado, afirmou à imprensa que a acção não é nova e que as mesmas equipas de fiscalização têm destruído sucessivamente as residências improvisadas das famílias.


“O que aconteceu hoje não foi a primeira vez, mas sim a quarta. Foram os mesmos fiscais que partiram as nossas residências na rotunda do Tulipa Negra (Bairro TC Neto), queimaram as cabanas onde vivíamos e levaram os nossos bens materiais”, denunciou.


Fonseca explicou ainda que, após o primeiro despejo, as famílias foram encaminhadas para junto do Campus Universitário pelos próprios fiscais. No local, receberam apoio da empresa Konda Marta, que forneceu chapas e outros bens de primeira necessidade.


“A empresa Konda Marta nos acolheu e fez doações. Começamos a reconstruir a nossa vida e a ter esperança. Mas hoje a fiscalização, acompanhada pela Polícia Nacional, voltou e destruiu novamente as cabanas, quebrando mobiliário que compramos com muito sacrifício”, lamentou.


O camponês demonstrou indignação e confusão quanto à postura das autoridades, afirmando que as famílias são frequentemente mobilizadas para actividades políticas.


“Não entendemos se somos invasores de terra, invasores políticos ou o quê. Somos chamados para campanhas, os autocarros vêm nos buscar, mas depois somos tratados desta forma”, questionou.


Outra voz afectada é a de Jeremias Francisco Ekuikui, morador e professor das crianças das famílias desalojadas. Ele alertou para o impacto da situação na educação dos menores.


“Angola é um país grande. É muito triste ver governantes mandarem a Polícia Nacional retirar famílias com bebés das cabanas. As crianças ficam sem lugar para estudar”, apelou.


Já a camponesa Jorgina Muanza contou que foi surpreendida pela notícia da demolição enquanto acompanhava um dos filhos internado no Hospital Geral.


“Recebi uma chamada a dizer que a cabana tinha sido derrubada. Não sei o que a fiscalização pensa de nós. Temos um governo para defender o povo, não para destruir, porque precisa desse povo para votar”, desabafou entre lágrimas.


O Presidente do Conselho de Administração da empresa Konda Marta, Daniel Neto, classificou a acção como “terrorista” e acusou directamente a fiscalização da Camama e efectivos da Polícia Nacional afectos ao Comando Municipal.


“Não se entende que, às vésperas da pré-campanha, um grupo de indivíduos ligados à polícia e à fiscalização venha intimidar uma população vulnerável. Nós acolhemos essas mães porque são cidadãs angolanas”, afirmou.


Daniel Neto denunciou ainda alegados interesses económicos por detrás das demolições, referindo a existência de um investidor estrangeiro interessado em vedar o espaço, supostamente destinado à universidade.


“Estão a demolir as cabanas porque já existe um cidadão chinês disposto a vedar o espaço. Dizem que é da universidade, mas não é para impacto social. Quem cedeu o espaço para o campus universitário fomos nós”, acusou.


O responsável apelou ao Executivo angolano para não se deixar influenciar por, segundo disse, “maus conselheiros”, que estariam a manchar o nome do Presidente da República e a criar instabilidade social.


Até ao momento, a Administração Municipal da Camama e o Comando da Polícia Nacional local não se pronunciaram oficialmente sobre as acusações.

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