top of page

ESTADO PARALELO EM MOÇAMBIQUE? DENÚNCIAS APONTAM PARA CAPTURA INSTITUCIONAL POR PODERES INFORMAIS

  • Foto do escritor: Portal Destaques
    Portal Destaques
  • há 22 horas
  • 3 min de leitura

Um conjunto crescente de relatos provenientes de empresários, funcionários públicos e fontes políticas levanta sérias preocupações sobre o alegado fortalecimento de um poder informal que estaria a interferir directamente nas decisões de sectores estratégicos do Estado moçambicano. Segundo estas denúncias, o país enfrenta um risco real de captura institucional por interesses privados, com efeitos negativos na confiança dos investidores, no ambiente de negócios e na credibilidade das instituições públicas.


Por: Redacção l Portal Destaques.ao


As alegações descrevem um cenário marcado pela erosão da concorrência económica, fragilização das instituições, perda de credibilidade internacional e um ambiente generalizado de medo e incerteza. Observadores ouvidos falam da existência de um verdadeiro “Estado dentro do Estado”, no qual decisões sensíveis estariam a ser influenciadas por indivíduos sem qualquer mandato público ou legitimidade democrática.


Um dos nomes mais recorrentes nas denúncias é o de Alcides Viegas Chihono, conhecido como Cantoná. Segundo as fontes, a sua trajectória simboliza a ascensão de um actor informal a espaços tradicionalmente reservados às instituições do Estado.


Ex-jogador de futebol sem uma carreira de grande destaque, Cantoná teria posteriormente reinventado-se como intermediário e, mais tarde, como empresário. As denúncias referem que o seu nome já surgiu em alegados episódios de ligações ao narcotráfico — casos que nunca avançaram judicialmente — e apontam que o seu actual estilo de vida, marcado por carros de luxo, imóveis de elevado valor e participações empresariais, não encontra correspondência clara com o seu histórico financeiro conhecido.


Fontes do sector económico e institucional apontam diversos elementos considerados preocupantes, entre eles:


✔️Sinais de riqueza incompatíveis com o percurso público conhecido;


✔️Alegada capacidade de influenciar nomeações, decisões fiscais e processos administrativos;


✔️Envolvimento em investimentos estrangeiros de origem contestada;


✔️Actuação como intermediário em sectores estratégicos como energia, mineração, banca e telecomunicações.


O dossiê descreve Cantoná como um “primeiro-ministro informal”, com acesso privilegiado a gabinetes e estruturas sensíveis do Estado.


Relatos e investigações não oficiais referem que Cantoná teria participação em investimentos provenientes de grupos nigerianos, angolanos e chineses. Entre os projectos citados encontra-se a criação de um microbanco, em parceria com entidades cuja reputação internacional é descrita como controversa.


A falta de transparência sobre a origem dos capitais é vista por várias fontes como um risco significativo para a soberania económica e institucional do país. Estas preocupações são agravadas por percepções de fragilidade na actuação da Procuradoria-Geral da República (PGR), com processos que alegadamente teriam sido arquivados sem esclarecimento público.


Entre os bens atribuídos a Cantoná constam:


✔️Um duplex avaliado em mais de 800 mil dólares, localizado na Marginal;


✔️Uma frota de viaturas de gama alta.


Empresários questionam como estas aquisições teriam sido financiadas e qual o nível de contribuição fiscal associado, sobretudo no que respeita à importação dos veículos.


Há ainda relatos de que, durante o período eleitoral, Cantoná teria aproximado ao então candidato e actual Presidente Daniel Chapo um grupo de investidores estrangeiros que alegadamente transportava elevadas quantias em dinheiro vivo. Segundo o documento, essa proximidade explicaria a sua circulação frequente por instituições como o Gabinete do Presidente da República, SERNIC, PGR e vários ministérios.


Outra dimensão destacada nas denúncias é o uso frequente de jactos privados em deslocações nacionais e internacionais, alegadamente contratados a empresas como BestFly e Lanceria, o que ilustraria o nível de recursos financeiros envolvidos.


Cantoná é igualmente associado ao empresário zimbabueano Wicknell Chivayo, conhecido pela ostentação e proximidade ao poder político. Há relatos de que Cantoná teria recebido três viaturas de luxo como oferta.


Ingilo Dalsuco: o estratega nos bastidores

Associado a Cantoná surge o nome de Ingilo Dalsuco, descrito por várias fontes como o estratega da dupla. Enquanto Cantoná seria o rosto mais visível, Dalsuco actuaria nos bastidores, com crescente influência sobre estruturas do Estado.


As denúncias envolvendo Dalsuco incluem:


✔️Alegações de agiotagem com taxas consideradas abusivas;


✔️Rápida expansão patrimonial;

Suposta interferência em processos sensíveis ligados à PGR;


✔️Ligações familiares ao ex-ministro das Finanças Manuel Chang, o que intensifica suspeitas quanto à origem e protecção do seu poder.


Um alerta à integridade do Estado

Em conjunto, Cantoná e Dalsuco são descritos como a expressão mais visível de um modelo de poder extra-institucional que, segundo as fontes, estaria a condicionar a governação e o funcionamento normal de várias entidades públicas.


O documento que reúne estas informações sublinha que todas as denúncias carecem de investigação formal, mas alerta para a repetição de padrões que, analisados em conjunto, sugerem riscos sérios para a integridade das instituições do Estado e para a democracia moçambicana.

Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
bottom of page