TRUMP ABRE A PORTA A TROPAS NA UCRÂNIA E MUDA O JOGO DA GUERRA
- Portal Destaques
- 19 de ago.
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Por: Redacção l Portal Destaques.ao
A sombra da emboscada na Sala Oval, em fevereiro, pairava sobre o novo encontro em Washington. Desta vez, Volodymyr Zelensky apareceu tenso, mas calculista: vestiu fato, agradeceu várias vezes e apresentou uma oferta de 100 mil milhões de dólares em compras de armamento norte-americano. Em troca, pediu garantias de segurança.
Donald Trump, que dias antes tinha estendido o tapete vermelho a Vladimir Putin no Alasca, surpreendeu: não descartou o envio de tropas americanas para a Ucrânia, algo que os líderes europeus classificam como potencialmente “histórico”.
Segundo o major-general Agostinho Costa, colocar militares dos EUA no terreno equivaleria a inverter o jogo: “A Ucrânia não entra na NATO, mas a NATO entra na Ucrânia”. Para Moscovo, isso é uma linha vermelha. O Kremlin reagiu de imediato, rejeitando qualquer presença da NATO no país vizinho.
No passado, França, Reino Unido e os países bálticos admitiram enviar tropas, até 50 mil soldados, mas sem os EUA a coligação nunca passou do papel. Alemanha e Polónia, mais reticentes, alertaram para a falta de garantias reais sem o respaldo americano. Agora, com Trump a abrir a porta, a equação muda.
“Não é a presença de 30 mil europeus que vai dissuadir a Rússia”, reforça o tenente-general Marco Serronha. Para ele, só os EUA têm o peso nuclear necessário para dar a Kiev a dissuasão de que precisa.
Kiev ainda carrega o trauma do Memorando de Budapeste, quando abriu mão do seu arsenal nuclear em troca de promessas de segurança que nunca se materializaram. Por isso, as garantias nucleares americanas são vistas como vitais. A Ucrânia também colocou em cima da mesa um pacote adicional de 50 mil milhões de dólares para produção de drones em parceria com empresas norte-americanas.
Apesar da abertura, Trump afastou a ideia de um cessar-fogo imediato. Especialistas acreditam que as negociações de paz continuam presas a objetivos inconciliáveis: Moscovo quer uma Ucrânia subordinada; Kiev exige soberania e retirada russa.
Para Serronha, Trump tenta criar um “meio termo” que agrade a Moscovo, mas alerta: “Garantias de segurança aceites pela Rússia são sempre de desconfiar”.
A mudança de tom de Trump pode ser um divisor de águas, mas também uma jogada perigosa. Se a Rússia encarar tropas americanas como ameaça direta, a escalada é inevitável. Para a Europa, relegada a “primeira linha de defesa”, a promessa de paz pode revelar-se apenas uma aposta incerta — facilmente esmagada entre exigências russas, ambições ucranianas e a hesitação do Ocidente.











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