SAMAKAKA RUMO A PATRIMÓNIO IMATERIAL NACIONAL: UM SÍMBOLO VIVO DAS CULTURAS DO SUL DE ANGOLA
- Portal Destaques
- 13 de jul.
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SAMAKAKA RUMO A Por: Redacção | Portal Destaques.ao
O tradicional pano Samakaka, símbolo identitário das comunidades do Sul de Angola, está em vias de ser classificado como Património Imaterial Nacional, em reconhecimento ao seu valor histórico, estético e sociocultural. Utilizado amplamente pelos povos Nyaneka-Humbi, Kwanhama, Ngangela, Mucubal e Kimbaris, o tecido representa muito mais que vestuário: é uma expressão viva das tradições ancestrais.
A iniciativa está a ser levada a cabo por um grupo multidisciplinar de pesquisadores em História, Antropologia e Linguística Bantu, em parceria com o Gabinete Provincial da Cultura e Turismo da Huíla e várias ONGs, que trabalham no mapeamento científico da origem do tecido, seu simbolismo e as razões da forte ligação entre as comunidades locais e a Samakaka.
O pesquisador de cultura Bantu, António Ndielemo, afirma que diversas etapas do processo de reconhecimento já foram superadas. O foco atual das investigações é compreender as motivações culturais por detrás da escolha das cores — entre elas o vermelho, branco, amarelo e preto — e o seu uso nas províncias da Huíla, Namibe, Cunene, Cuando-Cubango e Moxico. As preferências estéticas, segundo o pesquisador, podem estar ligadas à atratividade visual das cores, mas também aos rituais e costumes locais.
Apesar de ser atualmente produzido no exterior, o Samakaka mantém suas raízes no Sul de Angola, mas já conquistou espaço no mundo da moda internacional, ganhando novas ramificações e estilos. O processo de reconhecimento como património, submetido ao Instituto Nacional do Património Cultural (INPC), poderá sofrer atrasos devido à complexidade na confrontação dos dados históricos recolhidos.
A historiadora Maria Guilhermina reforça que o trabalho de campo está a ser realizado com autoridades tradicionais, líderes religiosos e usuários diretos do pano, o que permite validar a autenticidade e diversidade dos contextos de uso. O objetivo central é preservar a identidade e o valor cultural do Samakaka nas comunidades que o mantêm vivo.
O termo "Samakaka" deriva de "Omakaka", que significa “verdura” ou “folhas rasteiras” como as da planta da abóbora e do feijoeiro, o que reforça a sua ligação ao meio natural e ao ciclo da vida. Quem quiser mergulhar nesta tradição, deve aproveitar esta época do Cacimbo, marcada por cerimónias dos Ovanhanekas, como a Efiko (festa da puberdade), Ekwendje (circuncisão), Onjelwa (consagração do boi) e Epito Pondjo (saída do bebé ao mundo exterior).











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