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“CAMPONESES DENUNCIAM ALEGADA USURPAÇÃO DE 575 HECTARES NO KILAMBA E ACUSAM AUTORIDADES DE ABUSOS E VIOLÊNCIA”

  • Foto do escritor: Portal Destaques
    Portal Destaques
  • 14 de fev.
  • 2 min de leitura

Atualizado: 6 de abr.

A Administração Municipal do Kilamba está a ser acusada por moradores e camponeses de alegadamente se apropriar de um vasto terreno agrícola situado no Bairro Jorge (Terra Nova II), no município do Kilamba, em Luanda.


Por: Redacção l Portal Destaque.online


Segundo relatos recolhidos no local nesta segunda-feira, 6 de abril, o conflito remonta a 2023, período em que foi criada a comissão de moradores e o Comité de Acção do Partido (CAP) na zona. De acordo com Taslânia Jorge, neta do primeiro ocupante da área, o terreno pertence à sua família e a vários camponeses que ali vivem há anos.


Taslânia afirma que, na altura, responsáveis da administração — então ainda sob o município de Belas — visitaram a área e propuseram um projecto de loteamento. Inicialmente, foi sugerida uma divisão de 60% para os moradores e 40% para a administração, mas a proposta sofreu várias alterações até se fixar em 40% para a população e 60% para a administração.


Apesar do alegado acordo, os moradores denunciam que a administração não cumpriu os termos estabelecidos e terá passado a vender parcelas do terreno a terceiros, incluindo empresários. Segundo a denunciante, obras continuam a ser realizadas mesmo após decisões judiciais favoráveis aos camponeses.


O espaço em disputa possui cerca de 575 hectares e envolve aproximadamente mil camponeses, que afirmam estar a ser alvo de intimidação, agressões físicas e acusações criminais desde o início do conflito.


Os moradores também apontam nomes de supostos envolvidos no processo, incluindo responsáveis ligados à administração municipal, ao sector habitacional e às forças de segurança, alegando a existência de uma rede de protecção que facilita a ocupação e comercialização dos terrenos.


Entre as denúncias, consta ainda a alegada ocupação de cerca de 150 hectares por um empresário identificado como “Lisboa”, que, segundo os camponeses, estaria protegido por figuras institucionais e envolvido em acordos de construção e venda de imóveis na área.


Populares ouvidos no local relatam um cenário de sofrimento contínuo. “Queremos os nossos terrenos de volta, estamos cansados de lutar”, afirmou uma das camponesas. Um idoso de 72 anos relatou ter sido detido devido ao conflito e apelou à intervenção do comando geral da Polícia Nacional.


Os moradores exigem a reposição dos seus direitos sobre as terras e o fim do que consideram abusos de poder por parte das autoridades locais.


O caso, que já dura há cerca de três anos, continua sem uma resolução definitiva e tem vindo a agravar-se desde novembro de 2025, segundo os denunciantes.

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