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JUVENTUDE DO PRS ACUSA MINISTRO RUI FALCÃO DE MENTIR NA ONU SOBRE POLÍTICAS PARA OS JOVENS ANGOLANOS

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    Portal Destaques
  • 26 de set.
  • 3 min de leitura

Por: Ernesto João l Portal Destaques.ao


As declarações do Ministro da Juventude e Desportos de Angola, Rui Falcão Pinto de Andrade, durante a reunião de alto nível na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, têm gerado forte polémica no país. O ministro discursou no dia 25 de setembro, celebrando os 30 anos do Programa de Ação Mundial para a Juventude, e afirmou que Angola tem feito investimentos consistentes na juventude, citando o recém-lançado Plano de Desenvolvimento da Juventude 2025–2027, que abrange áreas como educação, saúde, habitação, emprego, empreendedorismo e participação cívica.


Entretanto, essas afirmações foram duramente criticadas por Jaime José Mateus Vunge, Secretário Permanente Nacional da Juventude de Renovação Social, braço juvenil do Partido de Renovação Social (PRS). Em entrevista exclusiva ao portal Destaques.ao, na sexta-feira (26), Vunge acusou o ministro de ter mentido à comunidade internacional ao apresentar um cenário “irreal” sobre a situação da juventude angolana.


"Acompanhamos atentamente os pronunciamentos do senhor ministro no maior palco mundial, que é a ONU. Lamentamos profundamente o seu comportamento e postura ao listar projetos que, na prática, não chegam aos jovens", declarou Vunge.


Segundo Vunge, o ministro nunca dialogou com as organizações juvenis fora da JMPLA — a ala jovem do partido no poder. Ele afirma que as preocupações reais dos jovens angolanos nunca foram discutidas com o ministro, que estaria apenas em busca de “engraxar o chefe para manter o cargo”.


"É de lamentar que até hoje o senhor ministro nunca tenha sentado com qualquer outra organização juvenil que não seja da JMPLA. Ele nunca ouviu nossas preocupações. Isso mostra que não está comprometido com a juventude", criticou.


Sobre o setor habitacional, Vunge foi enfático ao dizer que o ministério não tem promovido nenhuma iniciativa concreta desde 2022. De acordo com ele, não há qualquer apoio a jovens que necessitam de teto ou terrenos para autoconstrução dirigida.


"O ministro nunca advogou pelos jovens que precisam de habitação. É mentira dizer na ONU que há planos para isso, ainda mais quando o próprio Presidente da República afirmou publicamente que não haverá novos projectos habitacionais."


O líder juvenil do PRS também criticou os elevados custos dos centros de formação como o MAPTSS e o CINFOTEC, que, segundo ele, são inacessíveis para a maioria dos jovens, especialmente os desempregados.


"Como esperar que jovens sem emprego paguem 400 a 500 mil kwanzas para formação? Isso é insustentável. Continuamos presos a cursos que não qualificam ninguém para o mercado de trabalho."


No campo do agronegócio, Vunge denunciou que os jovens ligados a cooperativas agrícolas não recebem apoio do governo. Ele afirma que os poucos financiamentos disponíveis são direcionados exclusivamente a membros dos comitês de especialidade da JMPLA.


"Há jovens com terras, mas sem crédito. E quem recebe o crédito? Aqueles que não entendem nada de agricultura, mas têm ligações políticas. Isso é injusto."


Da mesma forma, o empreendedorismo juvenil, segundo ele, é negligenciado:


"O jovem angolano já despertou, muitos são empreendedores. Mas falta apoio financeiro. Com apenas 500 mil kwanzas seria possível impulsionar muitos negócios, mas o ministério está alheio a essa realidade."


Jaime Vunge finalizou com um apelo directo ao ministro Rui Falcão: que ele apresente publicamente o mesmo relatório que levou à ONU e se disponha a dialogar com todas as organizações juvenis, independentemente da filiação partidária.


"Queremos diálogo real, não discursos ensaiados. Que o senhor ministro mostre o relatório que apresentou em Nova Iorque e ouça as respostas da juventude angolana."

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