FNLA EM TURBULÊNCIA: ANTIGO PRESIDENTE E MILITANTES EM CHOQUE VERBAL
- Portal Destaques
- 18 de ago. de 2025
- 2 min de leitura
Por: Redacção | Portal Destaques.ao
O ambiente político dentro da FNLA volta a ser marcado por fortes tensões e troca de acusações entre antigos e atuais dirigentes.
No dia 8 de Agosto de 2025, o antigo presidente da FNLA, Ngola Kabangu, publicou um texto intitulado “Cilindro da Democracia Interna – S.O.S./A Imperiosidade da Realização das Reuniões dos Órgãos Centrais do Partido”. No documento, Kabangu acusou os atuais líderes da FNLA, nomeadamente Antoine Nimi A Simbi e Benjamim Manuel da Silva, de usarem os recursos do partido em benefício próprio e de evitarem a convocação das reuniões estatutárias.
Kabangu defendeu a realização urgente de uma reunião do Bureau Político, como passo preparatório para a convocação de um Congresso, que segundo ele deverá marcar o fim do atual mandato da direcção. No texto, recorreu a linguagem dura, classificando os dirigentes como “Ali Babá e os 40 gameiros”, acusando-os de enfraquecerem o partido fundado por José Gilmore.
Entretanto, as declarações do histórico dirigente motivaram uma resposta contundente. No dia 17 de Agosto, o militante Tchissola Ngwendu reagiu no grupo de WhatsApp do Secretariado Nacional da JFNLA, através de um texto intitulado “Cilindro da Ambição Pessoal”.
Na sua réplica, Ngwendu acusou Kabangu de tentar dividir a FNLA movido por frustrações pessoais e relembrou o seu passado alegadamente ligado à PIDE e a compromissos com o regime colonial.
Segundo Ngwendu, “a democracia não é gritaria, nem manipulação, mas sim ordem, respeito institucional e trabalho conjunto”. O militante afirmou ainda que o antigo presidente manipula o nome do partido para benefício próprio e que estaria alinhado com antigos opositores internos como Pedro Gomes e Pedro Dala, a quem classificou de “derrotados e corruptos”.
Ngwendu acrescentou que a FNLA pertence a todos os angolanos e não deve ser usada por um grupo ou etnia em particular, defendendo que “vale mais unir do que destruir”.
O militante foi ainda mais longe nas acusações, afirmando que Ngola Kabangu utiliza recursos financeiros provenientes da Endiama e da pensão que recebe em Portugal como ex-agente da PIDE, para influenciar as estruturas internas do partido.
Segundo Ngwendu, Kabangu refugia-se na Associação dos Antigos Combatentes da FNLA para realizar atividades de carácter político, usando camisolas, estruturas e militantes dessa associação em vez de recorrer diretamente ao partido.
O militante acusou ainda o ex-presidente de ter celebrado recentemente o 2 de Agosto, data do Pensamento Físico de Holden Roberto, na província do Zaire, e o 16 de Agosto, ligado à ELNA, no Kwanza-Norte, sempre com o objectivo de ofuscar a actual direcção da FNLA.
Ngwendu concluiu a sua crítica acusando Kabangu de corromper membros do Comité Central, secretários e militantes através de pagamentos de rendas, apoio em questões de saúde e ajuda em casos de óbito, alegando que tais práticas visam “comprar consciências” e criar instabilidade no seio do partido.
As trocas de acusações revelam mais um capítulo das profundas divisões internas que continuam a fragilizar a FNLA, um dos mais antigos partidos políticos de Angola.











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