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CATETE EM CHOQUE: SUPOSTOS “CURANDEIROS” DA RDC DETIDOS APÓS DENÚNCIAS DE ABUSOS SEXUAIS, EXTORSÃO E RITUAIS VIOLENTOS

  • Foto do escritor: Portal Destaques
    Portal Destaques
  • 21 de abr.
  • 2 min de leitura

Atualizado: 10 de mai.

A Polícia Nacional em Icolo e Bengo deteve, na madrugada deste domingo, 10 de Maio, no bairro Macesso, município de Catete, quatro cidadãos — três da República Democrática do Congo (RDC) e um angolano — suspeitos de envolvimento em crimes sexuais, extorsão, danos, resistência contra agentes da autoridade e ofensas à integridade física.


Por: Ernesto João l Portal Destaques.ao


Segundo as autoridades, os indivíduos actuavam como supostos curandeiros tradicionais, alegando realizar rituais para “retirar feitiços” e purificar a comunidade de práticas de feitiçaria.


De acordo com o porta-voz da Polícia Nacional em Icolo e Bengo, intendente Euler Matari, os suspeitos cobravam entre 400 mil e 2 milhões de kwanzas pelos supostos tratamentos espirituais.


Quando as famílias não conseguiam pagar, eram pressionadas a entregar bens materiais como televisores, telemóveis e arcas frigoríficas. Em situações mais graves, algumas famílias eram alegadamente obrigadas a entregar as próprias filhas para envolvimento sexual com os suspeitos.


A Polícia afirma ainda que há registo de mais de dez vítimas, incluindo menores de 14 anos, submetidas a abusos e humilhações.


Os suspeitos também teriam agredido moradores com paus, praticado intimidações públicas e submetido vítimas a rituais violentos, incluindo banhos forçados em tanques de água construídos pelos próprios.


A operação policial foi desencadeada após denúncias feitas por moradores da comunidade. Foram mobilizados meios de investigação criminal e inteligência para localizar e deter os envolvidos, que agora serão apresentados ao Ministério Público.


O administrador comunal de Caxicane, António Cafala, explicou que um grupo de anciãos procurou inicialmente a Administração Comunal alegando querer combater a feitiçaria no bairro.


Segundo o responsável, a Administração recomendou que o assunto fosse tratado pelas autoridades tradicionais. No entanto, os envolvidos não seguiram a orientação e levaram os supostos curandeiros para a comunidade sem autorização.


“Começaram a fazer tratamentos e a extorquir valores aos populares”, afirmou.


Um dos detidos, Simão Makongo, de 30 anos, natural da RDC, afirmou que foi chamado por um morador conhecido como “Carlito” para ajudar a tratar alegadas doenças espirituais na comunidade.


“Disseram-me que havia pessoas doentes e problemas de maldição. Eu faço tratamento de tala, dores de barriga e inflamações”, declarou.


Manuel Ribeiro, de 25 anos, uma das vítimas, contou que foi acusado pelos supostos curandeiros de ter feitiço.


Segundo ele, foi submetido a rituais numa lagoa juntamente com a mãe, sob alegação de remoção de feitiçaria.


“Tudo era mentira. Cheguei a pagar mais de um milhão de kwanzas”, afirmou.

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